odes visuais

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odes visuais: criad_ord_emem_órias: risco#01

Numa sala escura, dois corpos estão encarregados de alimentar uma série de dispositivos projetivos e sonoros: super8, diapositivos, liquid light, projeções digitais, recitação, música, synths, entre outros. Os diferentes suportes mesclam-se no intuito de encontrar um modo de perceber o mundo através dessa aglutinação de linguagens.

Trata-se de uma projeção performática, já que a escolha das entradas e saídas de imagens e sons se dá ao vivo, a partir das ocorrências momentâneas, e sobretudo por que os dois corpos empenhados em alimentar essa máquina de máquinas não estão escondidos, apagados. Ao contrário, eles estão no centro da arena. A projeção de uma imagem tem a mesma importância que aquele que o projeta.

A potência está na expressão de uma busca, de um correr riscos, sem a pretensão de alcançar um discurso coeso, mas sim a construção de um imaginário próprio, desenvolvido a partir da fragmentação narrativa. O analógico se encontra com o digital – não há tecnologias obsoletas, ultrapassadas; elas se encontram no presente, numa espécie jam-session.

Personagens de um casamento dos anos 80, diapositivos caseiros, filmes sensuais dos anos 70, registros de viagens, arquivos de jornal, trechos literários e dança fundem-se, conduzindo à associações de idéias e metáforas, conflitos de formas, texturas e cores, que provocam no espectador impressões sensoriais e inconscientes. O conteúdo não é conclusivo nem argumentativo. A escolha das imagens é regida pelas ferramentas disponíveis, compondo um arsenal que remonta mesmo à história do audiovisual, uma espécie de memória técnica. O que há de comum entre um filme de super-8 e uma tela de celular? e o que os separa? Essas são questões que pretendem ser exploradas nessa experiência audiovisual.
Bora?

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